Do Contrato Social

Jean-Jacques Rousseau

Política e economia · Filosofia

Do Contrato Social

Jean-Jacques Rousseau

"O homem nasceu livre, e por toda parte está acorrentado." Rousseau parte dessa frase para perguntar o que torna um governo legítimo e responde que o poder pertence ao povo, expresso na vontade geral. Proibido na França quando saiu, em 1762, o livro inspirou a Revolução Francesa e continua no centro de toda discussão sobre democracia.

Tradução feita com IA pelo Mentor, a partir da obra original (1762). Obra em domínio público.

O começo da obra

Leia aqui mesmo, sem conta. Comece pelo texto como foi escrito e veja, parágrafo a parágrafo, o que o Mentor faz com ele.

Toque no ao lado de um parágrafo para vê-lo em português de hoje.

DO CONTRATO SOCIAL; OU, PRINCÍPIOS DO DIREITO POLÍTICO

LIVRO I.

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Quero investigar se na ordem civil pode haver alguma regra de administração legítima e segura, tomando os homens tais como são e as leis tais como podem ser: tentarei aliar sempre, nesta investigação, o que o direito permite com o que o interesse prescreve, a fim de que a justiça e a utilidade não se encontrem divididas.

Entro no assunto sem provar a importância do meu tema. Perguntar-me-ão se sou príncipe ou legislador para escrever sobre Política? Respondo que não, e que é por isso que escrevo sobre Política. Se eu fosse príncipe ou legislador, não perderia meu tempo dizendo o que deve ser feito; eu o faria, ou me calaria.

Nascido cidadão de um Estado livre e membro do soberano, por mais fraca que possa ser a influência da minha voz nos assuntos públicos, o direito de votar neles basta para me impor o dever de me instruir a respeito. Feliz, todas as vezes que medito sobre os Governos, de encontrar sempre em minhas pesquisas novas razões para amar o do meu país!

CAPÍTULO I. — Assunto deste primeiro Livro.

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O homem nasceu livre, e por toda parte ele está a ferros. Aquele que se crê senhor dos outros não deixa de ser mais escravo do que eles. Como se deu essa mudança? Ignoro-o. O que pode torná-la legítima? Creio poder resolver esta questão.

Se eu considerasse apenas a força e o efeito que dela deriva, eu diria: enquanto um Povo é forçado a obedecer e obedece, faz bem; assim que pode sacudir o jugo e o sacode, faz ainda melhor; pois, recuperando sua liberdade pelo mesmo direito que a arrebatou, ou ele está fundado a retomá-la, ou não o estava para a subtrair. Mas a ordem social é um direito sagrado, que serve de base a todos os outros. Contudo, este direito não provém da natureza; está, pois, fundado sobre convenções. Trata-se de saber quais são essas convenções. Antes de chegar a esse ponto, devo estabelecer o que acabo de adiantar.

CAPÍTULO II. — Das primeiras Sociedades.

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A mais antiga de todas as sociedades e a única natural é a da família. Ainda assim, os filhos só permanecem ligados ao pai enquanto precisam dele para se conservar. Assim que essa necessidade cessa, o vínculo natural se dissolve. Os filhos, isentos da obediência que deviam ao pai, e o pai, isento dos cuidados que devia aos filhos, retornam todos igualmente à independência. Se continuam a permanecer unidos, não é mais naturalmente, mas voluntariamente, e a própria família mantém-se apenas por convenção.

Essa liberdade comum é uma consequência da natureza do homem. Sua primeira lei é velar pela sua própria conservação, seus primeiros cuidados são aqueles que se deve a si mesmo, e, logo que atinge a idade da razão, sendo ele o único juiz dos meios apropriados para se conservar, torna-se, por isso, seu próprio senhor.

A família é, portanto, se se quiser, o primeiro modelo das sociedades políticas; o chefe é a imagem do pai, o povo é a imagem dos filhos, e todos, tendo nascido iguais e livres, não alienam sua liberdade senão em troca de sua utilidade. Toda a diferença é que, na família, o amor do pai pelos filhos compensa-o pelos cuidados que lhes dedica, e que, no Estado, o prazer de comandar supre esse amor que o chefe não tem pelos seus povos.

Grócio nega que todo poder humano seja estabelecido em favor daqueles que são governados: cita a escravidão como exemplo. Sua maneira mais constante de raciocinar é estabelecer sempre o direito pelo fato. Poder-se-ia empregar um método mais consequente, mas não mais favorável aos Tiranos.

É, portanto, duvidoso, segundo Grócio, se o gênero humano pertence a uma centena de homens, ou se essa centena de homens pertence ao gênero humano, e ele parece, em todo o seu livro, pender para a primeira opinião: é também o sentimento de Hobbes. Assim, eis a espécie humana dividida em rebanhos de gado, cada qual com seu chefe, que o guarda para devorá-lo.

Como um pastor é de uma natureza superior à de seu rebanho, os pastores de homens, que são seus chefes, são também de uma natureza superior à de seus povos. Assim raciocinava, segundo o relato de Fílon, o Imperador Calígula; concluindo muito bem, a partir dessa analogia, que os reis eram Deuses, ou que os povos eram bestas.

O raciocínio desse Calígula remete ao de Hobbes e de Grócio. Aristóteles, antes de todos eles, também tinha dito que os homens não são naturalmente iguais, mas que uns nascem para a escravidão e outros para a dominação.

Aristóteles tinha razão, mas tomava o efeito pela causa. Todo homem nascido na escravidão nasce para a escravidão; nada é mais certo. Os escravos perdem tudo em seus grilhões, até o desejo de sair deles: amam sua servidão como os companheiros de Ulisses amavam seu embrutecimento. Se há, pois, escravos por natureza, é porque houve escravos contra a natureza. A força fez os primeiros escravos, sua covardia os perpetuou.

Nada disse sobre o rei Adão, nem sobre o imperador Noé, pai de três grandes Monarcas que partilharam o universo, como fizeram os filhos de Saturno, em quem se acreditou reconhecê-los. Espero que me sejam gratos por essa moderação; pois, descendendo diretamente de um desses Príncipes, e talvez do ramo mais velho, quem sabe se, pela verificação dos títulos, eu não me encontraria o legítimo rei do gênero humano? Seja como for, não se pode discordar de que Adão tenha sido Soberano do mundo como Robinson de sua ilha, enquanto foi seu único habitante; e o que havia de cômodo nesse império era que o monarca, seguro em seu trono, não tinha a temer nem rebelião, nem guerras, nem conspiradores.

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A obra completa

48 partes, todas no original e em português de hoje

  1. CAPÍTULO I. — Assunto deste primeiro Livro.
  2. CAPÍTULO II. — Das primeiras Sociedades.
  3. CAPÍTULO III. — Do direito do mais forte.
  4. CAPÍTULO IV. — Da escravidão.
  5. CAPÍTULO V. — Que é preciso sempre remontar a uma primeira convenção.
  6. CAPÍTULO VI. — Do pacto social.
  7. CAPÍTULO VII. — Do Soberano.
  8. CAPÍTULO VIII. — Do estado civil.
  9. CAPÍTULO IX. — Do domínio real.
  10. CAPÍTULO I. — Que a soberania é inalienável
  11. CAPÍTULO II. — Que a soberania é indivisível.
  12. CAPÍTULO III. — Se a vontade geral pode errar.
  13. CAPÍTULO IV. — Dos limites do poder soberano.
  14. CAPÍTULO V. — Do direito de vida e de morte.
  15. CAPÍTULO VI. — Da lei.
  16. CAPÍTULO VII. — Do Legislador.
  17. CAPÍTULO VIII. — Do povo.
  18. CAPÍTULO IX. — Continuação.
  19. CAPÍTULO X. — Continuação.
  20. CAPÍTULO XI. — Dos diversos sistemas de Legislação.
  21. CAPÍTULO XII. — Divisão das Leis.
  22. CAPÍTULO I. — Do Governo em geral.
  23. CAPÍTULO II. — Do princípio que constitui as diversas formas de Governo.
  24. CAPÍTULO III. — Divisão dos Governos.
  25. CAPÍTULO IV. — Da Democracia.
  26. CAPÍTULO V. — Da Aristocracia.
  27. CAPÍTULO VI. — Da Monarquia.
  28. CAPÍTULO VII. — Dos Governos mistos.
  29. CAPÍTULO VIII. — Que toda forma de Governo não é própria a todo país.
  30. CAPÍTULO IX. — Dos sinais de um bom Governo.
  31. CAPÍTULO X. — Do abuso do Governo e de sua inclinação a degenerar.
  32. CAPÍTULO XI. — Da morte do corpo político.
  33. CAPÍTULO XII. — Como se mantém a autoridade Soberana.
  34. CAPÍTULO XIII. — Continuação.
  35. CAPÍTULO XIV. — Continuação.
  36. CAPÍTULO XV. — Dos Deputados ou Representantes.
  37. CAPÍTULO XVI. — Que a instituição do Governo não é de modo algum um contrato.
  38. CAPÍTULO XVII. — Da instituição do Governo.
  39. CAPÍTULO XVIII. — Meio de prevenir as usurpações do Governo.
  40. CAPÍTULO I. — Que a vontade geral é indestrutível.
  41. CAPÍTULO II. — Dos Sufrágios.
  42. CAPÍTULO III. — Das Eleições.
  43. CAPÍTULO IV. — Dos Comícios romanos.
  44. CAPÍTULO V. — Do Tribunato.
  45. CAPÍTULO VI. — Da Ditadura.
  46. CAPÍTULO VII. — Da Censura.
  47. CAPÍTULO VIII. — Da Religião Civil.
  48. CAPÍTULO IX. — Conclusão.
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